quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Fuga


   


  Theo Theousoro Theorremoto é um menino "vivace e pieno de animazione", que em bom português significa dizer que ele é do chifre furado.


  Na casa onde vive se falavam muitas coisas, como em todas as outras casas, mas a dele tem uma particularidade interessante, porque se falam todas essas coisas em italiano e português. Isso não é de modo algum um problema, porque ele compreende muito bem os dois idiomas e muitas vezes ignora solenemente todos dois. Mamãe já tentou até um terceiro, uma língua já extinta, que era usada pelas mães das cavernas: 

  - Gruhrumhamm THEO!!! Mas também não chega a ser eficiente. Só quando mamãe urra como um urso é que ele se limita a dizer:

  - Cooosa? Ou seja, que foooi mãe?

  Das muitas coisas que se ouve na casa de Theo, tem algumas que são campeãs, como por exemplo: 


  - Tira isso do chão!; 
  - Não mexe aí!; 
  - Não joga!;
  - Quer fazer xixi?; 
  - Não pula na cama! 

  Agora a campeã das campeãs é: - Não põe na boca!!!

  "Não põe na boca", é seguramente a mais falada. Papai, que é italiano, sempre diz:


  - Non in boca Theo! ou - No che te fa male! Caramba!

 

  A mamãe tenta em português:

  - Na boca não Theo! ou entre dentes: - Já disse para não colocar na boca! E também tenta no idioma das cavernas: Gruhrumhamm, 
n a  b o c a  n ã o!

  Vovó tentou ajudar algumas vezes assustando Theo: "Se você colocar na boca, sua barriga vai ficar cheia de bichinhos e eles vão te morder por dentro. Vai doer muito." Não dá para dizer se a estratégia de vovó daria certo ou não, porque ela foi terminantemente proibida de assustar a criança. Mas é possível que também não funcionasse.

  Contando desse modo, pode até parecer que ele é simplesmente teimoso, mas não é bem assim. Pelo menos, não um teimoso qualquer ou sem motivo.

  Theo é na verdade um grande curioso. Muitas vezes coloca as coisas na boca porque quer conhecer o sabor do mundo.

  Tudo é novo para ele. Além disso, ele tem um lado desafiador e impetuoso perfeitamente explicável: Theo é romano, conquistador e desbravador por natureza e como se isso não bastasse,  conta com uma boa dose de sangue alemão, que o torna muito determinado.

  Certo dia, Theo brincava no chão da sala com vovó. Estavam montando um castelinho com janelas e um grande portão que serviria de entrada para carrinhos e caminhões. Tudo estava muito bem e ele agora estava em seu momento "Theosouro", um doce de criança. Porém, minutos antes tinha aprontado uma das boas e levado uma bela bronca da mamãe, que tinha usado inclusive a linguagem das mães das cavernas:

  - Gruhrumhamm, não põe o livro na boca! Quantas vezes vou ter que falar? Me dá já esse livro!

  Claro que Theo obedeceu a mamãe. Mas como ele queria muito saber que gosto tinha aquela historia, antes de entrega-lo deu uma bela dentada na capa.

  A coisa ficou muito feia para o lado dele, porque até papai apareceu bravo:

  - Ma che cosa fai? Vuoi andare in punizione?

  - No...no, respondeu Theo. 

  Quando a coisa ficava assim séria, com papai e mamãe bravos ao mesmo tempo, só sobrava a vovó.

  E assim foi, que Theo e vovó estavam brincando quando sem mais nem menos viram que alguma coisa bem pequenininha passou correndo. Theo logo apontou falando:

  - Bicho.

  Vovó achou aquilo estranho, mas não pareceu que fosse um bicho.

  - Acho que não Teteo...deve ser outra coisa. Vai ver foi o vento...  

  De repente outra coisa pareceu correr por trás da pista de carrinhos, e outra embaixo da mesa e ainda outra para trás da caixa de brinquedos. Vovó começou a ficar preocupada. O que era aquilo?

  Não era mais possível ignorar. Alguma coisa estava muito errada. Talvez fosse melhor chamar a mamãe...Não, melhor não. Ela ia achar que era só mais uma invenção deles. Eles sempre inventavam muitas historias e brincadeiras. Talvez o papai? Hum... também não. Theo não tinha vocabulário suficiente para explicar o que tinha visto  e nem a vovó conseguiria contar aquilo em italiano. 

  O melhor era que eles mesmos tentassem descobrir do que se tratava.

  Começaram arrastando as caixas de brinquedos, mas as tais coisinhas corriam a uma velocidade incrível e eles não conseguiam perceber o que era.

  Levantaram a pista, as almofadas, as cadeiras, olharam atrás da cortina. Estavam começando a ficar assustados de verdade com todas aquelas minusculas coisas correndo de um lado para o outro.

  Foram olhar atrás da porta e de repente Theo gritou:

  - Potó!!!

  Vovó ajeitou melhor os óculos e perguntou:

  - Cavalo filho? Onde?

  E Theo disse:

  - Éeee...potó!

  Foi então que vovó viu um pequeno cavalinho lilás, amarelo e laranja muito assustado, escondido atrás da porta . Porém, quando tentaram pegá-lo o bicho saiu em disparada.

  Não era possível! Parecia o cavalinho que tinha na capa do livro "Negrinho do Pastoreio". Mas que o estaria fazendo ali atrás da porta?

  Correram até a estante para procurar o livro e levaram um susto tão grande que vovó ficou paralisada e de boca aberta, enquanto Theo apenas disse:

  - Oh non!

  Enormes cascatas de letrinhas escorriam estante abaixo. Os livros importantes de papai e mamãe estavam ficando em branco. Eram "enes", "éles", "tes", "erres", "ós" e "ôs" indo embora. Até os "cas" estavam partindo.

  Também os livros de Theo estavam com as capas em branco. Começaram a folhear aflitos e dentro não havia mais nenhum personagem das historias e as letras também já tinham sumido. Só tinham sobrado as árvores e as folhas já começavam a cair e rolar para fora.

  Vovó correu até a prateleira que ficava no corredor  para pegar o livro que mamãe havia guardado depois de Theo ter mordido a capa. Era a história da Mula sem cabeça e ele também estava em branco.

  Olharam um para o outro e muito assustados com o que estava acontecendo, voltaram para a sala de mãos dadas. O que era aquilo? Precisavam descobrir urgentemente.

  Theo foi imediatamente para dentro do castelo que ele e vovó estavam montando. Vovó sentou-se no chão, recostada no sofá como gostava de ficar e os dois, cada um a seu modo, ficou matutando sobre toda aquela confusão. 

  Estavam perdidos em seus pensamentos, tentando encontrar uma solução, quando vovó sentiu uma cosquinha na sua orelha. Passou a mão pensando que fosse um mosquito, mas logo em seguida voltou a sentir a mesma coisa e ouviu uma voz baixinha que parecia vir de muito, muito longe. Virou-se e deu de cara com "Iara", personagem de um outro livro de Theo, que contava a história de uma menina que morava nas águas dos rios. 

  Iara era uma menina doce e muito amiga de Theo.  Entre eles havia um carinho especial. Ele nunca, jamais havia deixado aquele livro cair no chão ou posto no boca. Ao contrário fazia carinho e encostava o rostinho na figura de Iara e dizia:

  - Ow...bambina!

  Theo quando viu Iara, correu e sentou-se no colo de vovó para ouvir o que ela tinha a dizer. 

  Vovó logo perguntou:

  - Até você saiu do livro Iara? O que aconteceu?

  Iara disse que tinha saído apenas para encontrar com eles e então contou que tudo tinha começado por conta de uma personagem do livro que Theo havia mordido. Era uma mulher muito feia e fofoqueira, conhecida por Maricotinha. Uma vez já tinha inventado coisas horríveis a respeito de D. Joaninha, uma outra personagem da história, mas como esta era muito querida por todos e fazia uns doces maravilhosos, ninguém deu muita atenção para as fofocas de D. Maricotinha.

  Agora era diferente, porque tanto os personagens quanto as letrastinham ficado muito, muito assustados, por conta do escandâlo armado pela tal fofoqueira que se pôs a gritar:

  - Socorro...socorro...a Mula está sem a pata. Pobrezinha...já não tinha cabeça!!! Que fará agora sem uma pata? E continuou a malvada:

  - Andem, andem. Vamos fugir, antes que o pequeno humano mastigue todos nós!

  No princípio os outros personagem não deram muita atenção. Conheciam Theo e sabiam que ele não estragaria nenhuma das histórias de propósito. O que acontecia é que ainda estava aprendendo a lidar com os livros. 

  Uma vez ou outra até acontecia de rasgar uma página ou duas... ou três, mas era porque suas mãozinhas eram pequenas e ele não tinha muito jeito para virá-las.

  Mas D. Maricotinha tanto gritou, tanto pediu socorro que acabou por chamar a atenção dos livros importantes de papai e mamãe, e esses não conheciam Theo tão bem assim. Algumas vezes até já tinham sido folheados por ele, mas vovó sempre estava junto. Na dúvida, preferiram escapar antes que pudesse ser tarde demais.

  A coisa toda era muito complicada e para piorar a situação, mamãe tinha avisado que naquele dia passaria o aspirador de pó em toda a casa. Se isso acontecesse nunca mais conseguiriam colocar as histórias de volta no lugar.

  E agora? O que eles poderiam fazer se não conseguiam nem chegar perto das letras e dos personagens?

  Iara já tinha tentado conversar com eles, mas sem sucesso. Foi aí que teve uma ideia e sugeriu que chamassem o Sr. Cenoura, um velho amigo de Theo que o acompanhava desde os tempos em que ele começou a comer as primeiras papinhas (água de batata com farinha).

  Aqueles foram tempos difíceis para o pequeno Theo que até então só tomava leite. E sempre havia alguém para dar uma idéia, uma sugestão para que mamãe conseguisse fazer Theo comer, mas no final só quem dava conta do recado era o Sr. Cenoura. Ele comia junto com Theo, dançava e rodopiava só para que ele se distraísse e comesse tudo.

  Talvez até seja por conta do que se passou naquela ocasião, que Theo tenha pegado a mania de provar tudo com a boca, porque mamãe sempre dizia: "Põe na boca filho! Vai come! Você precisa saber qual é o sabor. Pois é, mamãe tanto falou que ele agora quer sentir o sabor de tudo. 

  O Sr. Cenoura já tinha se aposentado e agora vivia confortavelmente na gaveta da vovó. Vez ou outra saia para rever os amigos que ainda viviam na caixa de brinquedos e também para conhecer os novos.

  Era muito querido e respeitado por todos e sempre que aparecia era uma festa.

  Vovó e Theo acharam que aquela era mesmo uma boa idéia e foram, junto com Iara, até a gaveta conversar com ele. 

  Mas essa não!!! Ele tinha desaparecido. Ficaram em pânico e Theo começou a chorar. Será que até o Sr. Cenoura estava agora com medo dos dentinhos dele?

  Vovó procurou acalmar Theo. Não gostava de ver o pequeno chorando.

  - Calma filho! Talvez ele esteja mais para o fundo da gaveta. 

  Começaram a tirar tudo da gaveta e a chamar insistentemente. 

  Não demorou muito para que o Sr. Cenoura aparece com um largo sorriso no rosto, muito feliz com a visita de Theo. Mas seu sorriso logo desapareceu quando viu seu pequeno amigo chorando:

  - O que foi? O que aconteceu para você estar chorando assim tão sentido?

  Theo fazia beicinho e mal conseguia falar. Foi vovó quem explicou tudo.

  - Ah...então é isso!? Falou o Sr. Cenoura. Eu bem vi quando passaram por aqui algumas letrinhas sozinhas e fui atrás delas para saber do que se tratava, quando ouvi vocês chamando e voltei.

  O Sr. Cenoura ficou pensativo por alguns segundos e depois se voltou para Theo, falando com doçura:

  - Vamos, se acalme! Resolveremos esta situação.

  Logo em seguida assumiu uma postura de comando e começou a distribuir ordens para todo mundo.

  - Você Iara, vá chamar D. Joaninha da história da mula sem cabeça. Ela é uma boa pessoa e já passou muito apuro por conta das fofocas de D.Maricotinha. Vai nos ajudar com certeza. Você Theo, reúna todos os seus carrinhos e caminhões. Vamos precisar deles. E você vovó, vá buscar o Ursinho Coração e diga que estamos precisando muito da ajuda dele. Se aquele malandro, que só quer saber de ficar no berço estiver dormindo, insista até que acorde. Precisamos da ajuda de todos e rápido, antes que as letras sumam de vez.

  Encontro vocês no sofá da sala!

  Todos saíram na mesma hora para cumprir as ordens do Sr. Cenoura. Ele que era um diplomata nato, neste momento parecia um general tamanha era sua habilidade em dar ordens e determinar o que cada um deveria fazer. Isso mesmo... podia ser chamado de agora em diante de General Cenoura (quase consigo vê-lo de quebe e cheio de medalhas no peito 😃).

  Não demorou muito e todos estavam de volta a sala. Vovó acompanhada do Ursinho Coração, que cheio de sono  bocejava e esfregava os olhinhos; Iara, acompanhada de D.Joaninha e Theo que tinha recolhido todos os carrinhos que estavam espalhados pela casa, trazia agora a última leva e enfileirava todos no tapete.

  O General Cenoura, ops...desculpe, o Sr. Cenoura, estava cercado por todos os brinquedos, que gostavam muito dele e adoravam ouvir suas histórias de quando Theo era bem pequenininho. Quando viu que todos estavam reunidos, subiu no sofá com a ajuda de Theo, pediu que os brinquedos sentassem e prestassem muita atenção. Ele ia contar uma história!

  Pigarreou para limpar a garganta e começou:

  - Tenho certeza que todos aqui conhecem minha história com Theo. Já a contei inúmeras vezes e se alguém por acaso não ouviu de mim, deve ter ouvido da boca de outro brinquedo. É uma linda história...

  Ao lembrar o Sr. Cenoura ficou tão emocionado que precisou parar por alguns segundos e respirar fundo antes de prosseguir. Depois olhou demoradamente para Theo e para o Ursinho Coração:

  - Vocês lembram quando eramos só nós quatro? Ah...parece que foi ontem! Sinto saudades da pequena garrafa de água com arroz dentro. Era um grande brinquedo!!!

  Ele disfarçou para limpar os olhos que estavam cheios de lágrimas. 

  Todos os brinquedos tinham ficado em silêncio. Nunca tinham visto o Sr. Cenoura assim tão emotivo. Pelo contrário, estava sempre alegre e terminava de contar suas travessuras com Theo sempre acompanhadas de gostosas gargalhadas.

  Mas foi ele mesmo, que sorrindo, quebrou o silêncio:

  - Pois bem meus amigos, pedi que todos se reunissem aqui porque quero contar uma coisa que aconteceu hoje. Talvez alguns de vocês já tenham percebido mas...

  Nesse momento Max, o carro guincho falou com sua voz grossa:

  - Já sei Sr. Cenoura. Eu e mais alguns brinquedos percebemos a fuga das letras e personagens dos livros. Uma tristeza! 

  - Realmente muito triste, falou o coelho que também era um brinquedo das antigas e tinha visto chegar quase todos os livros.

  O Sr. Cenoura já ia perguntar para D. Joaninha o que ela achava de tudo aquilo mas nem precisou, porque ela mesma começou a falar:

  - Fiquei muito aborrecida ao ver o que aconteceu. O menino não merecia esse abandono! É um menino doce, alegre e muito observador.

  Quando D. Joaninha começou a falar, as letrinhas e personagens que já tinham parado de correr, agora que ninguém mais os perseguia, chegaram mais perto para poder ouvir melhor. Afinal, o que ela tinha a dizer podia ser importante já que também era uma personagem de história. Além do mais, era muito respeitada na estante de livros pela maneira como tinha lidado com as fofocas de D. Maricotinha.

  - Sabem, continuou D. Joaninha, Theo sempre vem folhear a nossa história.  E é uma grande alegria conversar com ele. Me corta o coração vê-lo sofrendo por causa de mais uma invenção de D. Maricotinha. E continuou:

  - Será que vocês não percebem que é tudo uma grande mentira? Vejam só que bagunça! E por nada. Por acaso tem algum livro faltando pedaço? Bom...talvez um ou dois, mas só. E afinal aconteceu a muito tempo. São folhas rasgadas, ou melhor, quero dizer que são águas passadas.

  Os brinquedos se entreolharam e balançando a cabeça afirmativamente, concordavam com D. Joaninha. Theo era mesmo uma criança adorável. Com ele, os brinquedos já tinham viajado por toda a casa: cozinha, corredor, quartos e até nos banheiros já tinham ido. Não havia lugar naquela casa que eles não tivessem explorado junto com Theo.

  E não era só um ou outro. Ele dava a mesma atenção a todos, ainda que de tempos em tempos um dos brinquedos fosse eleito o favorito, os outros não eram esquecidos.

  Logo começou um enorme burburinho por parte dos brinquedos que começaram a falar todos ao mesmo tempo sobre como eram felizes por pertencerem a Theo.

  Ouvindo isso, os personagens das histórias se sentiram muito sem graça e devagarzinho foram se aproximando de Theo na esperança de serem desculpados e de que ele ainda quisesse ouvir o que eles tinham para contar. Entenderam que, na verdade, nada demais tinha acontecido e que toda a confusão tinha sido provocada por conta dos gritos de D. Maricotinha.

  O primeiro a se aproximar foi o cavalinho do Negrinho do Pastoreio, lambeu a mão de Theo e depois roçou a cabeça no seu braço e logo ganhou um colo. Eles não precisavam de palavras quando um gesto podia dizer muito mais. 

  Depois chegou o próprio Negrinho do Pastoreio, a Cuca, a Mula sem Cabeça, o Curupira e todos os outros. Os únicos que não gostaram muito de ver que tudo estava se acalmando foi o Saci, que adorava uma confusão e D. Maricotinha que ficou a um canto de cabeça baixa muito envergonhada.

  Iara agradeceu a ajuda do Sr. Cenoura e dando uma piscadinha para Theo disse:

  - Então meus amigos, vamos voltar para os nossos livros? Tudo já foi esclarecido e estou sentindo o ar muito seco por aqui. Preciso urgentemente de um banho de rio.

  Os personagens devagar foram voltando para suas histórias, aliviados por tudo agora estar bem. O Sr. Cenoura, porém, percebeu que as letras continuavam um pouco resistentes, principalmente aquelas que eram dos livros importantes de papai e mamãe, mas com todo seu carisma animou-os:

  - Vamos lá meus amigos! O perigo que vocês imaginaram nunca existiu, não veem? Voltem para suas histórias. Afinal o que são letras sozinhas ou palavras soltas? Certo que cada uma tem o seu som, o seu significado...mas são como as pessoas e só fazem sentido quando estão juntas. Olhem só...todos os carrinhos estão esperando para levá-las até a estante. Venham!!!

  As letras acharam muito certo aquilo que dizia o Sr. Cenoura. Era verdade que sozinhas eram apenas um som e nada mais. Elas eram parte da história, mas não eram a história. Só quando as letras se juntavam para formar uma palavra e depois esta palavra ia se juntando a outras é que criavam alguma coisa. Igualzinho as pessoas...

  Depois disso, as letras foram uma a uma embarcando nos carrinhos e caminhões que Theo já tinha arrumado. A cada carrinho lotado, ele gritava: -Via! E mandava o carrinho em direção a estante.

  Theo enviou o último carrinho bem na hora que mamãe entrou na sala com o aspirador de pó na mão:

  - Mas que bagunça vocês dois fizeram! Reclamou mamãe se fingindo de brava. 

  Vovó, um tanto pensativa, olhou para ela e perguntou:

  - Você sabe o que letras e pessoas tem em comum? 

  Mamãe levantando uma sobrancelha, olhou para vovó e falou bem devagarzinho:

  - Nãao...mas sei que preciso dar uma olhada nos seus remédios para ver se não tem alguma substância estranha por lá.

  Theo que escutou a porta do quarto de papai abrindo, saiu correndo gritando: Papà! Mas parou no meio do caminho, voltou e deu um beijo em vovó para depois sair correndo de novo.

E foi assim que entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra.



                    FIM
  

  




  

  




  
  



   

  
  



  





  












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